Um morto, um gato morto.
Ao vê-lo, meu segundo se transpôs em minutos, horas...
Parecia-lhe os pelos vivos e o semblante alerta, e assim parado, mudo, como um totem.
Não havia sangue, não havia desfiguração, somente silêncio e paradeza.
Eu, como criança, estatelei meu corpo no tempo.
Ao ver um morto, meu passado e futuro se encontraram, não pelo mistério do onde vamos, mas pela ausência de si mesmo: o gato.
É provável o paralelo dessa falta de vida com a ausência de curiosidade deste tempo no qual vivemos? Há em suas esquinas uma sapiência estática, morta, a falta do que se desvirtua, a falta da procura no novo.
E não me refiro ao progresso. Penso no progresso como uma reiteração tecnológica de antigos valores. Penso no progresso e lembro-me da Reforma. Não vejo reestruturação no progresso, vejo um pesar a balança para o outro lado. E de um lado para o outro o que sobra são extremos, em sua estaticidade, enquanto um possível equilíbrio de correnteza, de movimento, torna-se cada vez mais afastado. Equilíbrio de correnteza...num rio, a constância do movimento permite à água que habitava um lugar correr para outro, e imediatamente ser substituída por outra água. As águas preenchem o lugar do que foi deixado...Assim não há insistência de se estar num lugar só...
Vejo o estado que se encontram as coisas como um enorme lago, onde cada água possui seu lugar e não há pretensão de mudança. Mas há chuva. Trazendo novas águas, e uma guerra por espaço tira as coisas do lugar...
A humanidade precisa de chuva?
Como o gato.
Um gato morto é um lago na chuva: guerra pela modificação. A morte.
É sim, o não,
Ainda
Mesmo que
Não compreendo
Mas imagino
Nesses olhos
Quando negam dizem sim
Será?
Eu
Por meus meios
Quase desintegro minhas certezas
Já não separo
Não do sim
Se não ou se sim
Apenas
Sei
O que quero
E espero
O momento
Sim
não sei
Obvio?
Não
menos ainda
ai
a estupidez
me habita
nesses instantes
pois fico
estátua
estanco
em sua presença
sorte a minha
pois sim ou não
não sei
só sei
que te quero.
Ainda
Mesmo que
Não compreendo
Mas imagino
Nesses olhos
Quando negam dizem sim
Será?
Eu
Por meus meios
Quase desintegro minhas certezas
Já não separo
Não do sim
Se não ou se sim
Apenas
Sei
O que quero
E espero
O momento
Sim
não sei
Obvio?
Não
menos ainda
ai
a estupidez
me habita
nesses instantes
pois fico
estátua
estanco
em sua presença
sorte a minha
pois sim ou não
não sei
só sei
que te quero.
ao ciúmes...
É desse abismo entre as distâncias de um quando atrás que inicia-se esse nosso encontro.
Portanto, cabe nesses nós que o teu ontem me causa,
Um certo desconcerto pro tempo do agora.
Me ferem certas palavras do outrora,
Esse cão que me ladra os ouvidos quando há silêncio.
Portanto, te peço nada,
Já que o antes sempre existe,
Mesmo não sendo hoje,
Pois é distante do agora,
Mas há na lembrança.
E haver é nada mais que existir.
Como não posso,
Não me cabe calar-te.
Já me rodeiam teus outroras
Enquanto meu mais que perfeito amara teu hoje
Pelo tempo que não foste ontem.
Portanto, cabe nesses nós que o teu ontem me causa,
Um certo desconcerto pro tempo do agora.
Me ferem certas palavras do outrora,
Esse cão que me ladra os ouvidos quando há silêncio.
Portanto, te peço nada,
Já que o antes sempre existe,
Mesmo não sendo hoje,
Pois é distante do agora,
Mas há na lembrança.
E haver é nada mais que existir.
Como não posso,
Não me cabe calar-te.
Já me rodeiam teus outroras
Enquanto meu mais que perfeito amara teu hoje
Pelo tempo que não foste ontem.
palavras
As palavras...
Essas escrivaninhas de precipícios...
Como se penduram, alheias ao tempo,
Em segundos infinitos que duram mais que a vida.
E o tempo que elas correm,
Criaturas,
Além da existência de um deus,
Pra lá de onde nascem...
Transbordam nossos des(a)tinos.
Como são insípidas
Tanto quanto quando como
são surpresas
Pois nos nascem de um menos esperado,
De um soluço,
Uma parábase.
Essas escrivaninhas de precipícios...
Como se penduram, alheias ao tempo,
Em segundos infinitos que duram mais que a vida.
E o tempo que elas correm,
Criaturas,
Além da existência de um deus,
Pra lá de onde nascem...
Transbordam nossos des(a)tinos.
Como são insípidas
Tanto quanto quando como
são surpresas
Pois nos nascem de um menos esperado,
De um soluço,
Uma parábase.
E cada resto de escudo que me sobra
não me cabe mais,
se me estranho porque me fecho
então me cerro entre os dentes do meu corpo
por não mais encontrar no dentro ou no fora...
Já não se encerra o que de novo nasce
que é meu estranho...
unheimlich...
e me reconheço
quando tardo em meus sentidos
e conheço já meu estranho
quando abro o peito
para que parta em frente
em linha reta
esse que é meu caminho
que já nem sei onde
apenas sei que sou
o que sou
quando
eu
sendo
não me cabe mais,
se me estranho porque me fecho
então me cerro entre os dentes do meu corpo
por não mais encontrar no dentro ou no fora...
Já não se encerra o que de novo nasce
que é meu estranho...
unheimlich...
e me reconheço
quando tardo em meus sentidos
e conheço já meu estranho
quando abro o peito
para que parta em frente
em linha reta
esse que é meu caminho
que já nem sei onde
apenas sei que sou
o que sou
quando
eu
sendo
ao som de Bach
Sob um céu onde a chuva pretende uma queda,
vê-se um instante de calma
numa pétala dançando ao vento...
Desde então, a flor estaca
e estanca seu pranto de folhas....
e cada pétala aguarda por outro instante de um sopro
que as levará pelo entardecer da chuva.
Instante esse cujo endereço perde sentido,
sendo a chuva senhora de todos os lugares,
quando lacrimeja das nuvens.....
Cabe então, apenas silêncio,
preâmbulo das mortes de tantas gotas.
vê-se um instante de calma
numa pétala dançando ao vento...
Desde então, a flor estaca
e estanca seu pranto de folhas....
e cada pétala aguarda por outro instante de um sopro
que as levará pelo entardecer da chuva.
Instante esse cujo endereço perde sentido,
sendo a chuva senhora de todos os lugares,
quando lacrimeja das nuvens.....
Cabe então, apenas silêncio,
preâmbulo das mortes de tantas gotas.
Aranha (bossinha)
Se por acaso eu tivesse
essa paradeza tamanha
pelo tudo que me cresce
pelo tempo que me arranha
por esse estar que me enaltece
o que se perde quando ganha
o que sobe quando desce
que conhece quando estranha
tudo que a aranha tece
tudo que tece a aranha
essa paradeza tamanha
pelo tudo que me cresce
pelo tempo que me arranha
por esse estar que me enaltece
o que se perde quando ganha
o que sobe quando desce
que conhece quando estranha
tudo que a aranha tece
tudo que tece a aranha
Leminskianas....(aquelas que vieram durante a leitura)
-Tudo ótimo,
diz o dia.
-Tudo bem,
diz a manhã.
Porém,
não importa o quanto a porta da felicidade
se alarga,
haverá sempre
um fundo de garantia
para as pequenas lágrimas.
------------------------------------------------------------------
Um dia eu fui
como se serei não fosse.
Hoje sou
como se ontem não era
e amanhã...
quem sabe...
-------------------------------------------------------
Meu peito é
antes desrespeito que poesia,
é antes poesia que simples peito,
é tanto,
mas no entanto,
se quero,
não posso,
nem,
tirar a camisa.
diz o dia.
-Tudo bem,
diz a manhã.
Porém,
não importa o quanto a porta da felicidade
se alarga,
haverá sempre
um fundo de garantia
para as pequenas lágrimas.
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Um dia eu fui
como se serei não fosse.
Hoje sou
como se ontem não era
e amanhã...
quem sabe...
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Meu peito é
antes desrespeito que poesia,
é antes poesia que simples peito,
é tanto,
mas no entanto,
se quero,
não posso,
nem,
tirar a camisa.
considerações sobre a arte
É possivel nessa luta travada dia-a-dia contra a literalidade, o encontro da poesia de cada dia, do transformar em arte qualquer fato antes despercebido, e transformá-lo de tal maneira, irreversivelmente, com o talento de quem tem brilho nos olhos.
Assim, possa talvez o ser humano enxergar além das especialidades burocráticas.
Quando o artista se despir de sua carapaça estereotipada e se encontrar igual;
quando um sacerdote perceber que o aprendizado é infinito e que todo conhecimento pode levar a nada....e por isso se descobrir igual;
quando um médico perceber que cada corpo deve conhecer-se a partir das curas descobertas e inventadas por ele mesmo e assim o médico, tal qual um diretor ajudará o paciente a encontrar seu caminho de cura e não mais indicará o caminho de uma verdade.....e por isso se encontrar paciente e se tornar igual..........
talvez então, possa ser compreendido o sentido da poesia, da arte de cada dia, como o pão, um alimento necessário e não um motivo hierárquico ou uma inutilidade.
Enquanto isso, os intelectuais possam perceber, como os artistas, médicos, sacerdotes, etc., que o conhecimento, tal como qualquer evento no espaço, depende do ponto de referência.
E, emprestando palavras de Joseph Campbell:
"...a Terra vista da Lua pode nos mostrar que não há separação entre os Céus e a Terra, mas que a Terra se encontra nos Céus."
Assim, possa talvez o ser humano enxergar além das especialidades burocráticas.
Quando o artista se despir de sua carapaça estereotipada e se encontrar igual;
quando um sacerdote perceber que o aprendizado é infinito e que todo conhecimento pode levar a nada....e por isso se descobrir igual;
quando um médico perceber que cada corpo deve conhecer-se a partir das curas descobertas e inventadas por ele mesmo e assim o médico, tal qual um diretor ajudará o paciente a encontrar seu caminho de cura e não mais indicará o caminho de uma verdade.....e por isso se encontrar paciente e se tornar igual..........
talvez então, possa ser compreendido o sentido da poesia, da arte de cada dia, como o pão, um alimento necessário e não um motivo hierárquico ou uma inutilidade.
Enquanto isso, os intelectuais possam perceber, como os artistas, médicos, sacerdotes, etc., que o conhecimento, tal como qualquer evento no espaço, depende do ponto de referência.
E, emprestando palavras de Joseph Campbell:
"...a Terra vista da Lua pode nos mostrar que não há separação entre os Céus e a Terra, mas que a Terra se encontra nos Céus."
dissertações
Nunca pude dizer o que há de conjetural em palavras escritas sem parecer-me estranha,
Nem o perceber de tal fatal hipótese
Me faz menos outra pessoa para meus olhos.
Nem o perceber de tal fatal hipótese
Me faz menos outra pessoa para meus olhos.
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